O advogado dos policiais que matam


:: El Pais em 17/06/2017 04:41 ::

As 25 pessoas convocadas para a seleção do júri que iria condenar ou absolver o policial militar Djalma Aparecido do Nascimento Júnior ainda aguardavam o sorteio que definiria os sete jurados definitivos naquela quinta feira, 4 de maio, quando o advogado de defesa do réu apareceu informalmente no plenário. Demoraria cerca de uma hora para o início do julgamento e o silêncio imperava na sala no IV Tribunal do Júri, na Barra Funda, em São Paulo. Ouvia-se no máximo uma reclamação de canto de boca sobre a obrigação de estar ali, e eventuais bufadas solitárias enchiam o ar da sala bege com cadeiras estofadas azuis e luz fluorescente.

“Camarão é a mãe, vou logo avisando!”, brada Celso Vendramini em tom de brincadeira, aproximando-se da pequena barreira de madeira que separa o plenário da plateia, enquanto ajeita a toga. A piada faz referência ao apelido que ganhou nos tempos em que foi advogado/jurado do show de calouros do Programa do Ratinho, no SBT. Com a atenção garantida, ele segue adiante, contando aos possíveis jurados que em breve deve apresentar um programa policial na televisão, seu grande sonho: “Vou fazer igual ao Datena e o Marcelo Rezende, mas eu sou melhor”. Já cativa, a audiência (e futuro júri, é bom lembrar) acha graça. Ele aponta para mim e para o repórter Iuri Barcelos, que filmava a cena, e diz que estamos fazendo sua biografia. “Eu? Eu sou um picaretão, não sou nada, quem sou eu pra fazerem uma biografia da minha vida?”, pergunta ao público. Ele mesmo responde: é batalhador, sempre teve uma vida dura, quase desistiu da advocacia. Mas superou os obstáculos e atua como advogado criminalista no Tribunal do Júri defendendo policiais e outros agentes da segurança pública. Acrescenta que nunca mais será candidato porque “não nasceu pra ser bandido”, presumindo que as pessoas ali saibam que ele foi candidato a deputado federal, vereador e deputado estadual, respectivamente, duas vezes pelo PPS e a última pelo PDT, sempre sem sucesso. Ele continua falando, e o assunto vai da “roubalheira dos políticos” à dieta que está seguindo por causa do colesterol alto; do remédio que aumenta sua testosterona e enlouquece sua mulher às motos que ainda dirige. Em determinado momento, uma estudante de direito sentada ao meu lado diz que, mesmo que não fosse escolhida para compor o júri, permaneceria ali para assistir ao advogado “figura” em ação. Cumpriu a promessa. Ela ficaria voluntariamente por mais de seis horas na plateia.

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