Juiz de Fora ganhará três núcleos de vôlei para alunos da rede pública


:: TM Esportes em 09/01/2018 07:22 ::

voleiolavo2.jpgCarlos Augusto Bandeira Moraes e Toninho Buda falam sobre projetos para este ano. (Foto: Olavo Prazeres)

Clube conhecido por formar talentos para o vôlei, como os campeões olímpicos Giovane Gávio e André Nascimento, o Bom Pastor deve iniciar em fevereiro um projeto que tem por objetivo manter essa tradição. Com o apoio do JF Vôlei, o clube conseguiu em 2017 captar valores por meio do Minas Esportiva Incentivo ao Esporte, lei de incentivo fiscal do Governo do Estado para o fomento ao esporte, com o qual irá criar três núcleos de vôlei em Juiz de Fora direcionado a jovens entre 11 e 14 anos, totalizando cerca de 120 alunos oriundos da rede pública de ensino.

A iniciativa, que terá duração inicial de um ano, será implantada em três bairros da cidade, em locais a serem definidos.

No total, o Clube Bom Pastor conseguiu captar pouco mais de R$ 153 mil no ano passado com as empresas Medquímica e Unida, que poderão descontar os valores repassados do saldo devedor do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços). Todo ano, o Governo Estadual pode direcionar 0,5% do ICMS para atividades esportivas e paradesportivas de rendimento, do desporto escolar, lazer, de formação e desporto social, entre outros.

De acordo com o presidente do Bom Pastor, Carlos Augusto Bandeira Moraes, as leis de incentivo são uma forma eficiente de conseguir apoio para o fomento do esporte em geral, e que no caso do projeto do clube terá caráter social e também abre a possibilidade da descoberta de novos talentos para suas categorias de base, que voltaram a disputar campeonatos em 2017 nas categorias sub-13 a sub-17 – com a instituição, inclusive, sediando competições oficiais.

Nos mínimos detalhes

O caminho, explica, não é fácil. O Bom Pastor vem tentando a aprovação nas leis de incentivo, tanto estadual quanto federal, há alguns anos, e somente em junho de 2016 obteve sucesso. “É preciso ter todas as certidões negativas exigidas, estar de acordo com as necessidades do clube, discriminar os objetivos, detalhar o que será feito. E nós não nos tornamos apenas um receptor dos eventuais valores; na verdade, somos cadastrados para poder procurar as empresas que tenham interesse em participar da iniciativa, e estas também precisam ser aprovadas pelos órgãos responsáveis”, explica Carlos Augusto.

”Podemos descobrir jovens que podem ir para nossas categorias de base, inclusive com direito a bolsa. Nossa sobrevivência, sob muitos aspectos, depende dessas leis”, Carlos Augusto Bandeira Moraes, presidente do Clube Bom Pastor

Quando o projeto é aprovado, o agraciado tem um ano para conseguir parceiros interessados. No caso do Bom Pastor, isto se deu em junho de 2016, e no início de 2017, após procurar diversas empresas, conseguiram o apoio da Unida e Medquímica. É preciso abrir uma conta bancária específica apenas para receber os valores, que devem ser utilizados dentro do prazo de um ano, e que passam por rígido controle de prestação de contas. Como exemplo, a aquisição de materiais como bolas, uniformes, redes etc. tem que ser feita por meio de cotação de preços com pelo menos três empresas.

Apesar de toda a burocracia inerente à iniciativa, o presidente do Bom Pastor afirma que esta é a melhor forma de o clube conseguir aumentar o seu alcance como formador de talentos no esporte. “Nós, dos clubes de base, não vendemos jogadores. Eles são formados aqui e depois passam para os clubes profissionais, então não temos dinheiro sobrando. Dessa forma, podemos descobrir jovens que podem ir para nossas categorias de base, inclusive com direito a bolsa. Nossa sobrevivência, sob muitos aspectos, depende dessas leis.”

Três núcleos, 120 atendidos

Com isso, ele espera que a instituição continue a entregar para o esporte nomes não apenas como os de Giovane e André Nascimento, mas também destaques recentes como Felipe Roque, atualmente no Minas Tênis e convocado para a Seleção Brasileira, e Felipe Guedes, que está no elenco do JF Vôlei – o clube, inclusive, já tem parceria com o Bom Pastor nas categorias de base e mantém esse acerto com o novo projeto.

Ainda que não tenha definido os locais onde ficarão os núcleos, o Bom Pastor e o JF Vôlei informam que cada unidade receberá 40 jovens da rede pública de ensino, totalizando 120 adolescentes, que devem manter um bom desempenho escolar. O material esportivo (camisa, meias, calção, tênis) será fornecido pela iniciativa, que também vai adquirir redes, bolas e outros itens necessários. Serão contratados, ainda, um coordenador geral, dois professores e dois estagiários. Os núcleos deverão ser instalados, a princípio, em escolas que tenham quadra de vôlei disponível.

Mais que atletas

Para o presidente da Asepel (Associação de Ensino e Pesquisa em Esporte e Lazer, responsável por gerenciar o clube participante da Superliga masculina), Toninho Buda, a iniciativa tem valor não apenas pela possibilidade de descobrir possíveis futuros craques, mas também formar novos profissionais e dar uma nova visão de mundo aos jovens. “Há um aspecto inclusivo enorme, porque teremos dezenas de crianças em cada unidade que terão a oportunidade de treinar. A partir do momento em que colocamos o esporte na vida da pessoa e ela se interessa, sua vida muda, porque é preciso dedicação, organizar sua vida em razão do esporte, até mesmo com mais maturidade”, acredita Toninho, destacando que o JF Vôlei já tem parceira com a Prefeitura de Juiz de Fora para instalar escolas de vôlei nas instituições da rede municipal de ensino – a primeira delas já funciona na Escola Municipal Tancredo Neves, no São Pedro.

“Há um aspecto inclusivo enorme, porque teremos dezenas de crianças em cada unidade que terão a oportunidade de treinar. A partir do momento em que colocamos o esporte na vida da pessoa e ela se interessa, sua vida muda”, Toninho Buda, presidente da Associação de Ensino e Pesquisa em Esporte e Lazer, que gerencia o JF Vôlei

“São vários os ganhos que o jovem pode ter”, acrescenta Carlos Augusto. “Temos a ligação do esporte com a saúde física e mental; o aprendizado do trabalho em equipe, algo que precisamos ter durante toda a vida; e também diminuir os riscos dos meninos e meninas entrarem no mundo das drogas ou ficarem apenas nos jogos eletrônicos; e a capacidade de absorver as frustrações, porque muitas vezes você precisa encarar as derrotas com maior frequência, adquiri-se a capacidade de resiliência.”

Carlos Augusto Bandeira Moraes lembra que o clube também tem outro projeto, desta vez aprovado pela Lei de Incentivo ao Esporte, o qual já apresentou a outras empresas. Para ajudar na captação, o Bom Pastor contratou um especialista em marketing para mostrar as empresas as vantagens de participar da iniciativa e como conseguir contrapartida por meio da ação.

E nem por isso eles pensam em deixar para trás o atual projeto quando se encerrar o período de sua realização. “Não queremos que seja apenas por 12 meses. Com a experiência que já adquirimos buscamos captar recursos para 2019 com o apoio de uma empresa especializada nesta atividade”, destaca.

The post Juiz de Fora ganhará três núcleos de vôlei para alunos da rede pública appeared first on Tribuna de Minas.

Clique aqui para ver esta matéria na fonte original.