Mais de 700 pessoas morreram em Juiz de Fora no ano passado, vítimas de câncer


:: Diário Regional em 06/02/2018 22:12 ::

Setecentas e sessenta e duas pessoas morreram de câncer em Juiz de Fora no ano de 2017. O levantamento realizado pela Secretaria de Saúde (SS) mostra que os homens morreram mais que as mulheres: são 398 óbitos de indivíduos do sexo masculino e 364 de pessoas do sexo feminino. Os cânceres de pulmão (56), próstata (54) e estomago (31) lideram o ranking dos que mais mataram os homens, enquanto o de mama (58), pulmão (44) e estômago (20) são os responsáveis pelo maior número de mulheres mortas.

Especialistas explicam que, para ambos os sexos, o cenário no município é preocupante e que a maioria dos casos está relacionada ao diagnóstico tardio da doença.

“Quando o paciente vai procurar o médico, o tumor já está em estágio avançado e a cura é mais difícil. Se o diagnóstico fosse feito precocemente não teríamos tantos óbitos no ano”, diz a mastologista Lívia Maria Toledo.

CÂNCER DE MAMA É O QUE MAIS MATA MULHERES

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres e também o mais letal, sendo a segunda principal causa de morte na América Latina. Entre todos os tipos de câncer, o de mama é o que mais mata mulheres na faixa dos 20 aos 59 anos. A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) aponta que o Brasil registra 58 mil casos da doença por ano e a maioria é detectada com lesões muito grandes.

Em virtude da triste estatística, Lívia alerta para a necessidade do diagnóstico precoce. “A mamografia aliada ao exame clínico e ao autoexame é muito importante, pois é através desse processo que a mulher passa a conhecer a própria mama”, explica a médica, acrescentando que somente os exames conseguem mostrar se existe ou não um tumor.

“Inicialmente, a mulher não percebe nada. Ela vai até o mastologista, no qual é solicitada a mamografia, que, muitas vezes, identifica lesões milimétricas. Nos casos avançados, a mulher pode perceber um nódulo na mama, uma pele com aspecto de casca de laranja, o mamilo pode se inverter e pode haver ulceração na mama. São os casos mais graves, responsáveis pelas mortes”, afirma.

Lívia reforça que a SBM preconiza a realização da mamografia anualmente a partir dos 40. “Se o câncer for diagnosticado de forma mais rápida, as chances de cura são maiores. Hoje, o tratamento do câncer de mama é individualizado. Ele é cirúrgico e pode ou não ser seguido de quimioterapia, radioterapia, terapia hormonal. Todo o processo vai depender do tipo do tumor”, ressalta.

CIGARRO É RESPONSÁVEL POR 90% DOS CASOS DE CÂNCER NO PULMÃO

Cerca de 90% dos casos de câncer no pulmão ocorre em função do consumo de derivados do tabaco, como o cigarro. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a doença é a que mais mata entre os homens. Assim como as mulheres, a busca pela identificação tardia da doença é o que tem levado cada vez mais homens a morrer. “O câncer no pulmão é silencioso. Muitas das vezes o paciente está com câncer, mas não temos o diagnostico dele em mãos”, revela o pneumologista Oswaldo Afonso da Silva Filho.

Segundo o especialista, a doença pode se manifestar em alguns sintomas. “Perda de peso, emagrecimento, tosse, que geralmente é seca, mas pode ter escarros sanguinolentos. Dores no tórax, e às vezes um pouco de falta de ar”, ressalta.

Qualquer uma das manifestações desses sintomas deve servir como um alerta para a procura de orientação médica. Além do diagnóstico precoce, outras iniciativas ajudam a prevenir o câncer. “A primeira coisa é controlar o uso crônico do cigarro. Boa alimentação, prática de atividades físicas, diminuição do estresse, optando por levar uma vida mais saudável, também faz parte da prevenção”, alerta Filho.

Clique aqui para ver esta matéria na fonte original.

Anúncios