Alta da gasolina reforça baixa popularidade do governo


:: Kennedy Alencar em 09/02/2018 09:01 ::

O Palácio do Planalto avalia que os reajustes dos preços da gasolina e do botijão de gás, muito acima da inflação oficial ao longo de 2017, são um dos vilões da impopularidade do governo ao lado da imagem de corrupção.

A gasolina subiu mais de 10% no passado. O botijão de gás de cozinha ultrapassou 16%. Isso em valores médios, porque, em algumas regiões do país, a alta dos produtos foi maior. Como são dois itens que pesam muito no orçamento dos mais pobres, há uma sensação de dificuldade econômica que contrasta com o discurso de uma inflação oficial que ficou abaixo do piso da meta _apenas em 2,95% no ano passado.

Aliadas à imagem de corrupção que grudou mais fortemente no governo após a delação da JBS, os preços da gasolina e do botijão de gás são os maiores obstáculos a uma melhora na imagem do governo que será tentada por meio de campanha publicitária.

Numa série recente de entrevistas, o presidente Michel Temer adotou um tom mais agressivo para se defender das acusações de corrupção, atribuindo-as a uma conspiração do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e de personagens hoje presos, como Joesley Batista e Ricardo Saud, do grupo JBS.

Em relação ao preço da gasolina, a ala política do governo gostaria que o presidente da Petrobras, Pedro Parente, fizesse novas mudanças na política de reajustes, criando intervalos maiores de reajuste como ocorreu no caso do botijão de gás.

Mas o presidente Michel Temer descartou a ideia.

Depois de vender a gestão de Parente como de recuperação da Petrobras, Temer avalia que seria um risco fazer qualquer interferência no reajuste do preço da gasolina. Já houve mudanças internas na forma de divulgar e ordenar tais reajustes.

É aquele caso em que o problema é ruim, mas pode piorar se o governo fizer uma interferência na Petrobras. Portanto, a ordem é aguentar o tranco.

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