Grande Rio espera “ir para o trono” desfilando história do Chacrinha


:: AgBrasil :: Cultura em 10/02/2018 09:17 ::

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O carnavalesco Renato Lage, há 40 anos trabalhando na festa carioca, espera levar o títuloCristina Índio do Brasil/ Agência Brasil

Vai para o trono ou não vai? A expressão que entrou para a história da televisão brasileira na voz de José Abelardo Barbosa de Medeiros, o Chacrinha, vai ecoar na Marquês de Sapucaí.

O comunicador popular é o homenageado da escola de samba Grande Rio, de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, que será a quinta a entrar na avenida no domingo (11).

O ator Stepan Nercessian, que representou Chacrinha no teatro e no cinema vai personificar, também na avenida, o Velho Guerreiro, como era chamado o comunicador. Para o ator, isso é uma honra. “Estou esperando com alegria! Acho que mais do que na televisão, no cinema, que acabei de fazer um filme sobre ele. Vou tentar fazer o que fiz no teatro e no cinema, que é me esconder para deixar ele à vontade com o público. Acho que ele vai ser muito bem recebido e muito aplaudido” contou emocionado o ator, que virá na segunda alegoria da escola.

Nercessian disse que, enquanto o representava nos palcos, era comum várias pessoas do público demonstrarem intimidade com o apresentador e seu programa de TV, o Cassino do Chacrinha. “O que mais me impressionava era como o Chacrinha era querido. Como as pessoas guardavam as lembranças dele”, disse.

O ator tem certeza que essa cumplicidade com o público vai se repetir durante o desfile, que vai contar com artistas que se apresentavam no programa, como algumas “chacretes” – dançarinas de Chacrinha – e artistas como Sidney Magal, que ganhou fama nessa produção de TV. Ao ver a peça, váris deles se emocionavam e abraçavam Nercessian como se o apresentador ainda estivesse vivo.

“O Chacrinha vai estar no habitat dele, não conheço ninguém mais carnavalesco do que ele era. Tenho impressão de que vai despertar muita emoção nas pessoas, muita lembrança. Vai vir muita coisa à tona. Estou na expectativa”.

A ideia de homenagear o comunicador surgiu quando o presidente de honra da escola, Jaider Soares, viu a peça e comentou com Stepan que falar do Chacrinha daria um bom enredo na Vermelho,Verde e Branco de Caxias.

Carnavalesco experiente estreia na escola

O tema do enredo animou até um dos mais experientes carnavalescos do Rio. Renato Lage, que já comandou o barracão das Mocidade, Salgueiro, Unidos da Tijuca, Caprichosos de Pilares e Império Serrano, acredita que sua estreia na Grande Rio será em grande estilo.

Lage é considerado um mestre entre seus colegas, mas este ano, na Grande Rio, além de enfrentar mais uma estreia em parceria com a mulher Márcia, precisa administrar a pressão do sonho da escola em conquistar o título de campeã. Nos últimos anos, a escola chegou perto mas não levou o títutlo.

Mas a expectativa não abala o carnavalesco. “Não é pressão. Pelo contrário, nem parece que estou estreando na Grande Rio. Até porque eu encontrei um clima e uma energia super esperançosa, positiva. Vim somar. A equipe que a gente tem é fantástica e a escola tem recursos”, garantiu.

E ele espera continuar na escola a trajetória vitoriosa, que inclui seis títulos conquistados nas outras agremiações por onde passou. “Mudança de escola para escola é assim mesmo. É um novo ciclo que começa na Grande Rio, que é uma escola que está com vontade de chegar a mais um sucesso. Para mim está sendo a sensação de uma nova fase, de um novo ciclo. Fiquei na Mocidade 13 anos e no Salgueiro, 15. Espero que seja um novo ciclo duradouro e vencedor”, comentou.

Ao permanecer tanto tempo em uma agremiação, Renato disse que permanecer tanto tempo em uma agremiação é bom para imprimir uma assinatura nos desfiles, sempre fugindo da repetição. “Acaba virando um desafio de você se superar na mesma escola. Acredito que fiz isso nas escolas em que passei, imprimir a minha assinatura. Cada carnaval tinha o seu jeito mas com a assinatura do Renato e acho que na Grande Rio não vai ser diferente”, disse o artista, que completa 40 anos no carnaval carioca. “O trabalho é sempre renovador”, completou.

E se depender de Renato Lage, será “sim” a resposta à pergunta do enredo: Vai para o trono ou não vai? . “A escola está em um entusiasmo só. Quem sabe se está tão próximo o título?! Por isso, a gente colocou no título do enredo o bordão do Chacrinha ”, afirmou.

O carnavalesco também está confiante com o samba-enredo. “É o mais animado, alegre e mexe com o público. No momento em que o país atravessa, com notícias de corrupção, violência e diferença social, não dá para cantar lamento no carnaval. O cara fica o ano sofrendo e vai cantar lamento? O Chacrinha já é o próprio carnaval e o samba é alegre. As pessoas querem brincar! O carnaval é para isso, para extravasar”, indicou.

Esta reportagem é parte da série que a Agência Brasil publica, até o carnaval, sobre os preparativos para os desfiles das escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro. Confira as demais matérias.

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