Estudante do Direito relata experiência de representar jovens da América Latina na ONU


:: UFJF em 15/02/2018 10:14 ::

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Kaime Oliveira: “Minha militância por um mundo mais sustentável é uma certeza. Quero continuar nessa luta” (Foto: Alexandre Dornelas)

“Minha mãe é professora, então sempre tive contato com a literatura, pois ela me incentivou muito a ler. Acho que essa criação me fez desenvolver uma mente muito aberta ao mundo, no sentido de tentar mudá-lo de alguma forma.

E isso sempre mexeu comigo. Quero fazer algo que impacte positivamente a sociedade e vou fazendo isso ao meu modo”. Esse foi o objetivo que guiou o estudante de Direito Kaime Silvestre Silva de Oliveira, de Confresa, cidade ao norte do Mato Grosso, até a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Nos dias 30 e 31 de janeiro, o estudante esteve na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, onde representou a juventude latino-americana e caribenha no Fórum de Juventude do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas.

O Fórum, que acontece anualmente e conta com sessões plenárias, discussões temáticas interativas e perspectivas regionais, estimula a troca de pontos de vista sobre soluções inovadoras para questões relevantes aos jovens e para a implementação da Agenda de Desenvolvimento 2030 que reúne 17 objetivos para, entre os planos, acabar com a pobreza, reduzir a desigualdade e proteger o planeta até 2030. O tema deste ano foi “O papel da juventude na construção sustentável e resiliente de comunidades urbanas e rurais”. De acordo com Oliveira, assa agenda de desenvolvimento vai definir os rumos do planeta nos próximos 15 anos. “Esse Fórum da Juventude serviu justamente para definir o que a juventude mundial pode contribuir para implementação dela”, pontua Oliveira.

O estudante, que é membro da ONG Engajamundo, tem amplo histórico de atuação em temas relacionados aos objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU e integrou a delegação brasileira na Conferência de Mudanças Climáticas de 2015 (Cop-21), em Paris, como representante da juventude. Sobre a experiência inédita no Fórum, ele destaca as possibilidades de interagir com diferentes culturas e realidades. “Encontrar jovens do mundo inteiro e discutir temas como água e conflitos, por exemplo, foi fantástico. Trocamos experiências e levamos ideias do que o Brasil tem gerado em termos de inovação e possibilitamos que outras organizações e países repliquem essas ideias”.

Oliveira revela a preocupação com a pauta sobre intervenção de países desenvolvidos em países latinos detentores de recursos naturais. “Uma temática que se sobressaiu nos debates entre os países latino-americanos foi a influência que os países desenvolvidos têm quando se trata de intervir nos nossos recursos naturais. Fizemos questão de deixar claro que essa intervenção não é benéfica e produtiva. Pelo contrário, caracteriza-se pela exploração e degradação. Os recursos são levados, mas não há nenhuma estratégia que envolva a comunidade, quando deveriam ser preservados, usados de modo sustentável e sem essa especulação exclusivamente financeira”, enfatiza. Dentre as atividades do Fórum, foram realizadas sessões para discutir cada Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Protagonismo e Representatividade

“Também foi um momento de mobilização, não só dos jovens, mas também das organizações que estávamos representando, justamente para pressionar os governos e as agências da ONU a ouvirem a nossa voz, ver o que a gente pensa”, enfatiza o acadêmico. “A população jovem, hoje, é de um bilhão e duzentas milhões, mas esse número não se reflete nos espaços de tomada de decisão. E esse foi um dos nossos principais questionamentos. Queremos ter mais participação quando o nosso futuro estiver em pauta”, reforça Oliveira. Além do Fórum, o estudante participou de outros eventos, um deles com o tema “Juventude, violência e Construção da Paz – Evidência Quantitativa e Direção Futura”, conduzido pelo Afeganistão, Colômbia, México e Nepal. Um dos objetivos foi avaliar o papel potencial da juventude no apoio à paz e à estabilidade em suas comunidades.

Segundo o estudante, a programação do Fórum contemplou sessões específicas para as regiões, nas quais os participantes puderam apresentar demandas, gerando um documento com tudo o que foi definido. “Todas as pautas discutidas foram levadas para a plenária, de forma a passarem por deliberação. Tudo o que foi debatido será levado para outro Fórum, que acontecerá em julho, o High Level Political Forum, evento oficial de discussão desses objetivos de desenvolvimento sustentável, que acontecerá também em Nova Iorque, com a presença de todos os líderes mundiais”.

Quanto à hipótese de seguir carreira na área, o estudante prefere manter a calma em relação a uma possível escolha. “Decidi vir para Juiz de Fora porque o curso de Direito da UFJF é muito bem avaliado nos indicadores do Ministério da Educação (MEC) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Foi uma aventura. A Universidade tem me proporcionado muitas experiências, desde acadêmicas até o contato com o movimento estudantil e iniciativas sociais, a exemplo desse, junto à ONU. Minha vinda para a UFJF foi muito transformadora e, por isso, sempre deixo as portas da vida abertas. Minha militância por um mundo mais sustentável é uma certeza. Quero continuar nessa luta”.

Os interessados em acompanhar a participação do estudante no Fórum poderão acessar as redes sociais da ONG Engajamundo.

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