Flexibilizar Estatuto do Desarmamento seria retrocesso


:: Kennedy Alencar em 15/02/2018 09:34 ::

Um atirador na Flórida, com apenas 19 anos de idade, matou 17 pessoas na quarta ao invadir uma escola de ensino médio. Há feridos em estado grave.

Episódios desse tipo reforçam a necessidade de barrar mudanças no Estatuto do Desarmamento, como deseja a bancada da bala no Congresso Nacional e prega o pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL-RJ).

No ano passado, houve forte lobby sobre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para que ele colocasse em votação projetos que flexibilizam o Estatuto do Desarmamento. Na prática, a ideia é facilitar a posse de armas para o cidadão comum.

Maia resistiu em 2017 e empurrou o lobby com a barriga.

Neste ano, que é eleitoral, há nova investida dos defensores de regras mais suaves para alguém comprar e portar uma arma. Com o virtual fracasso da reforma da Previdência, o presidente da Câmara está novamente sob pressão para mostrar serviço.

Um segmento do eleitorado que hoje apoia Bolsonaro é extremamente ativo nas redes sociais e nos canais de pressão sobre o Congresso. As ideias da bancada da bala e de Bolsonaro sobre o combate à violência são regressivas, desrespeitam os direitos humanos e só têm a oferecer ao Brasil o caminho do embrutecimento. Flexibilizar o Estatuto do Desarmamento seria um retrocesso civilizatório, um estímulo à barbárie.

Casos como o da Florida mostram que o Brasil precisa ser mais duro no controle de armas. Quanto menos armas em circulação menores as chances de chacinas e mortes por violência e acidentes domésticos. Também diminuiriam mortes por brigas fúteis no trânsito e nos bares.

Se o crime organizado tem facilidade para se armar até os dentes, não será dando revólveres aos cidadãos que surgirá uma boa solução. É preciso uma ação mais efetiva do Estado contra o crime organizado.

Todos os especialistas dizem que ter uma arma em casa aumenta a chance de o cidadão comum ser vítima de violência. É exceção o cenário em que possuir uma arma fez a diferença positivamente. É uma ilusão que pode custar caro e causar dor.

Ouça o comentário que também foi tema no “Jornal da CBN”:

Clique aqui para ver esta matéria na fonte original.