Polícia Civil conclui inquérito sobre morte de advogado que teve corpo jogado no rio


:: TM Cidade em 15/02/2018 12:49 ::

A Polícia Civil concluiu, na última semana, o inquérito que apurava a morte do advogado e policial militar reformado Carlos de Oliveira Barros, 75 anos, cujo corpo teria sido jogado nas águas do Paraibuna e ainda não foi encontrado. O relatório final trouxe à tona uma reviravolta no caso, com a presença de novos elementos, entre eles, a real motivação para o crime e a participação de outras duas pessoas no episódio violento.

Dois jovens de 20 e 21 anos, que teriam executado o idoso, foram indiciados por quatro crimes pela execução do idoso, morto com golpes de tijolo, pedra e machado. A pena dos suspeitos presos pode chegar a 39 anos de prisão. A dupla continua presa no Ceresp. A prisão temporária do suspeito mais velho vence nesta quinta-feira (15) e a do detido mais jovem vence na sexta (16), mas já foi solicitada a conversão em prisão preventiva dos dois investigados.

As investigações confirmaram que o suspeito mais novo tinha uma dívida de R$ 300 com o policial militar reformado, referente a honorários advocatícios, conforme a polícia já havia divulgado. Porém, conforme apurou o delegado Luciano Vidal, o mesmo suspeito de 20 anos ainda teria uma dívida com outro homem, que seria traficante do Bairro Parque das Torres, Zona Norte, e estaria sendo ameaçado por ele. Ao contrário da hipótese inicial de que o idoso foi morto porque teria ido ao bairro cobrar a dívida de R$ 300 do suspeito, as investigações concluíram que foi o próprio suspeito quem atraiu a vítima até o Parque das Torres, dizendo que pagaria a dívida referente aos honorários.

Ficou apurado, portanto, que o jovem de 20 anos teria marcado o encontro, na verdade, com o intuito de roubar a vítima, matá-la em seguida e usar o produto do roubo para quitar sua dívida com o suposto traficante. “Ele pensou que Barros seria uma vítima em potencial para ser roubado, por ser idoso e ter carro. O crime foi arquitetado dias antes. A ideia deles era roubar o carro do policial, mas no dia do crime ele foi para o bairro de Uber. Como já estava tudo tramado, eles seguiram com o plano e roubaram tudo que o idoso tinha”, disse Vidal.

Segundo o delegado, foram identificadas diversas ligações do jovem de 20 anos para a vítima. “Uma testemunha que estava com o advogado antes do crime confirmou que quem ligou para a vítima foi a mãe do rapaz. Foi ela inclusive quem recebeu o idoso no imóvel onde ocorreu o crime. Esta mesma testemunha estava no Uber e viu a suspeita. Este fato também foi confirmado pelos indiciados, que afirmaram que a mulher pensava que Barros apenas seria roubado”, comentou.

Por este motivo, a dupla presa responderá por latrocínio, que é o roubo seguido de morte. Os jovens de 20 e 21 anis roubaram celular e carteira do advogado. A mãe do preso de 20 anos foi indiciada por roubo qualificado em concurso de pessoas. A pena máxima pode chegar a aproximadamente 13 anos. Um homem que comprou o celular do advogado foi indiciado por receptação. O aparelho foi vendido logo depois e recuperado pela Polícia Civil.

Os suspeitos também responderão ainda por ocultação de cadáver e fraude processual, pois teriam voltado até o local do crime, no dia seguinte, para eliminar os indícios do crime. Os dois jovens também foram indiciados por corrupção de menores. Segundo a Polícia Civil, um adolescente de 17 anos esteve na cena do crime. Após investigações, foi possível apurar que o jovem também estaria na residência onde o advogado foi morto e teria ajudado a iluminar o local com o celular. Ele responderá por ato infracional análogo aos crimes de latrocínio e ocultação de cadáver. “Além de iluminar o local, que estava muito escuro, o adolescente ainda teria tirado uma foto do jovem de 20 anos com o cadáver do advogado. A imagem foi apagada. A perícia da Polícia Federal tentou recuperar a foto, mas não foi possível”, acrescentou Vidal.

Ainda segundo o delegado, a prótese dentária, a pedra que teria sido utilizada na agressão e um chinelo do suspeito de 20 anos foram encaminhados para Belo Horizonte para exame de DNA. A prótese também foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) junto com um raio-x do dente da vítima. O inquérito foi encaminhado à Justiça na última sexta-feira (9).

A Polícia Civil fez a reconstituição do crime, que teria ocorrido no dia 2 de janeiro. Os suspeitos detalharam todos os passos de execução. Segundo as investigações, as ações tiveram início do lado de fora do imóvel onde vivia o jovem de 20 anos, na Avenida Atlântica, onde o advogado chegou de Uber e teria aguardado o rapaz por horas. Foi ao lado do portão de entrada do imóvel que o idoso teria sido surpreendido pela dupla com uma “gravata”. Segundo a polícia, os suspeitos contaram em depoimento, e reafirmaram durante a reconstituição, que arrastaram o homem para os fundos da casa, que margeia o Paraibuna. Eles então reconstituíram as agressões, usando pedras, tijolos, viga de ferro e machado. Logo em seguida, foi mostrado como o corpo foi arrastado pelo chão de terra e jogado no rio. Foram feitas buscas pelo corpo, porém, o cadáver não foi encontrado pelos Bombeiros.

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