Barroso dinamita plano do governo para obter popularidade


:: Kennedy Alencar em 06/03/2018 08:31 ::

A decisão do ministro do STF Roberto Barroso de pedir a quebra do sigilo bancário do presidente Michel Temer causa dano ao plano do governo para tentar elevar seu baixo índice de popularidade. É a primeira vez que um presidente no exercício do mandato tem o sigilo bancário quebrado.

Com a intervenção federal no Rio de Janeiro, o governo havia conseguido mudar a pauta do debate público. Foi uma tentativa de construir uma agenda positiva.

A decisão de Barroso lança grave suspeita sobre a conduta de quem está no poder. Simbolicamente, é uma medida forte. O impacto político é alto.

O governo se queixava de que melhoras econômicas, ainda que modestas, não se refletiam no índice de popularidade.

Desde a delação da JBS, no ano passado, ficou mais difícil para a atual administração se livrar do carimbo da corrupção. A decisão de Barroso reforça essa marca, o que torna improvável que algum efeito positivo da intervenção no Rio se reflita de forma significativa na avaliação do governo.

A decisão de Barroso também enfraquece mais o poder do governo para influir no cenário eleitoral, seja como articulador de uma chapa do campo de centro-direita, seja como cabo eleitoral.

A possibilidade, já remota, de uma eventual tentativa de reeleição do presidente Michel Temer fica mais distante. O governo perde força para lançar um candidato a presidente dos seus quadros, como o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Em conversas reservadas, aliados do governador Geraldo Alckmin dizem que pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto gostaria de ter o apoio do MDB, mas mantendo distância de Temer e Meirelles.. Tucanos avaliam que Temer e Meirelles estão queimados politicamente e poderiam contaminar com impopularidade a candidatura de Alckmin.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Clique aqui para ver esta matéria na fonte original.

Anúncios