Regra do TSE sobre pesquisas é censura


:: Kennedy Alencar em 08/03/2018 09:04 ::

O Tribunal Superior Eleitoral publicou nesta semana uma resolução na qual diz que são “vedadas” nos questionários das pesquisas eleitorais “indagações a respeito de temas não relacionados à eleição”. Isso gerou críticas corretas ao TSE.

A decisão do tribunal é uma censura ao trabalho dos institutos de pesquisa. Também interfere no direito de os eleitores terem acesso a informações importantes para formar a sua decisão de voto.

É pertinente perguntar num questionário eleitoral no Rio se a população aprova a intervenção federal na segurança pública.

Depois, esse dado pode ser cruzado com intenções de voto dadas a um candidato do governo federal para saber se há um efeito eleitoral positivo, neutro ou negativo.

O prefeito João Doria está prestes a deixar o mandato de pouco mais de um ano à frente da cidade de São Paulo para concorrer. Tem interesse público saber se a população aprova ou não. A depender da interpretação, um partido pode pedir que a pesquisa não seja realizada por não querer determinada pergunta.

Já há regras que pedem transparência do questionário e registro antecipado de pesquisas. Temos um bom formato hoje. O TSE piorou a coisa.

Também traz riscos essa comissão do TSE para debater algum tipo de limitação às fake news. Pode resultar em censura. É tema delicado, porque há uma enxurrada de notícias falsas, sobretudo na internet, mas a emenda pode sair pior do que o soneto, a depender do tipo de regulamentação que venha ser criada a respeito.

O TSE deveria voltar atrás na questão das pesquisas e tomar cuidado com o campo minado das fake news.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”, que também analisou lançamento de pré-candidatura presidencial de Rodrigo Maia:

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