Sem silenciamentos


:: TM Opinião em 08/03/2018 09:34 ::

Mais do que um momento de comemorações, o Dia Internacional da Mulher é hora para a luta e para a reflexão. Neste 2018, a data vem ainda mais repleta de significados, especialmente em Juiz de Fora. A criação da Medalha Rosa Cabinda, entregue a 25 mulheres no município nesse dia 7, fez referência a uma escrava, cujo nome era desconhecido pela maioria da população juiz-forana.

Não se trata de causar constrangimento ou demérito para aqueles que até hoje tiveram seus nomes escritos em nossa História como fundadores da cidade, mas de reconhecer quantos silenciamentos existem nesta mesma História, principalmente quando se trata de mulheres, e, não só delas, mas das negras, escravas, que até hoje enfrentam todos os tipos de preconceitos, estando entre as que mais sofrem violências e opressões na sociedade.

Mulher, negra e escrava, Rosa Cabinda foi à Justiça em busca de sua liberdade, fazendo, portanto, história com seu ato de coragem, hoje reconhecido.

Entre os diversos significados desta medalha está também o de fazermos uma reflexão e trazermos o debate para as centenas de milhares de mulheres no Brasil e no mundo que tiveram seus feitos não reconhecidos, apesar da presença nos mais diversos setores. Na ciência e na tecnologia, por exemplo, a igualdade de gêneros ainda é uma realidade distante.

Pesquisa feita em 14 países no ano de 2016 apontou que a probabilidade de estudantes do sexo feminino conseguirem diploma de bacharel, mestrado ou doutorado em ciências ou em áreas relacionadas é de menos da metade se comparadas aos homens. A falta de representatividade do gênero na área é enorme, e alguns nomes, mesmo quando importantes, passaram silenciados. É o caso da biofísica Rosalind Franklin, cientista que ajudou a desvendar o DNA, mas que não ganhou o Nobel de Medicina em 1962 junto com outros pesquisadores homens que participaram da pesquisa.

A data é ainda motivo para pensarmos, em um ano de eleição, o quão restrita é a participação das mulheres na política. E que, muitas vezes, aquelas que estão nestes cargos não conseguem espaço para debater questões colocadas como prioritárias nas lutas feministas. Das 513 cadeiras do Congresso Nacional, apenas 55 são ocupadas por mulheres, o que significa 10,7%. No Senado, são 12 dos 81, ou 14,8%. Em Juiz de Fora, são duas vereadoras em um total de 19 parlamentares, ou 10,5%.

Ainda é preciso lembrar que muitas mulheres morrem apenas por serem mulheres. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é o quinto no ranking de países com maior número de feminicídios. Muitos casos são praticados por homens que não aceitam a separação ou mesmo uma recusa sexual.

Que este 8 de março sirva como um dia importante para que não sejam reforçados os papéis conservadores e subalternos reservados às mulheres, e sim uma data que seja ressignificada em prol de conquistas e pela mudança da estrutura e do modelo social que ainda é majoritariamente patriarcal aqui e em muitos países. Enfim, que a luta seja promissora.

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