A meio mundo de distância


:: UFJF em 16/04/2018 16:58 ::

A escolha do destino de Letícia Corrêa, aluna da Faculdade de Direito, deixa muitas pessoas espantadas com tamanha coragem. Como o próprio título de seu Diário de Intercambista sugere, ela está realmente a muitos milhares de quilômetros do Brasil. De lá conta suas experiências vivendo em meio a cultua oriental.

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Letícia Corrêa está em Chiba, no Japão, aprendendo o idioma e aperfeiçoando seus estudos (Foto: Divulgação/Letícia Corrêa)

A meio mundo de distância

Japão.

Esse país maravilhoso do sol nascente tem sido minha casa por oito meses, mas ainda me pergunto se realmente estou aqui. Comecei a me preparar para o intercâmbio no 1º período da faculdade, foquei naquilo que precisaria para ser aprovada no processo seletivo. Quando falava para os colegas sobre meu destino, a reação era sempre a mesma: “Japão?!” Sim, não é o país de cultura, culinária e idioma mais fáceis, mas é muito desafiador. A experiência não tem deixado a desejar e vou poder contar minhas pequenas aventuras do dia a dia para o resto da vida.

Aventura

Cheguei no Japão uma semana antes da data exigida pela universidade, para que pudesse me adaptar ao novo ambiente e, principalmente, ao fuso horário: 12 horas de diferença. Era o final do verão com calor de quase 40º e muita umidade no ar. A cidade de Chiba é litorânea e fica pertinho da baía de Tóquio, por isso, a sensação térmica era como se eu estivesse na praia em janeiro, no Brasil. Mas, quando via aquela quantidade enorme de japoneses engravatados andando pela rua e eu, suando em bicas, nem acreditava que estávamos no mesmo universo.

Naquela semana foi anunciado que haveria um tufão passando pela cidade bem no dia em que faria minha mudança do hotel para o apartamento. Perguntei minha buddy (a universidade disponibiliza aos intercambistas um aluno japonês para te ajudar, desde a sua mudança até o começo das aulas) se deveria me preocupar. Ela disse que não, o vento não seria tão forte e não me impediria de fazer o trajeto.

O tufão chegou e, pra mim, o vento parecia bem forte. Se fosse no Brasil, ficaria com medo de sair de casa

O tufão chegou e, pra mim, o vento parecia bem forte. Se fosse no Brasil, ficaria com medo de sair de casa. Comecei a entrar em desespero, mas saindo da estação de trem, olho para o lado e vejo uma senhorinha de uns 85 anos de muleta, andando na rua como se o tufão fosse só aquele ventinho usado no filme da Marilyn Monroe. Foi um choque de realidade. Sendo uma sociedade que já lidou com diversos desastres naturais ao longo da história, eles são bem preparados para situações como essa e até mesmo as crianças sabem como agir. Quando as aulas começaram, várias orientações foram passadas aos intercambistas neste sentido, inclusive treinamento em caso de terremotos.

Organização e transporte

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O monotrilho de Chiba, cidade de Letícia, permite vistas muito legais da cidade (Foto: KoroKoroColon)

Chiba tem porte médio e fica a cerca de 30 minutos de trem de Tóquio. A cidade é linda, limpa, organizada, com diversas facilidades para os moradores como comércio central e transporte público de qualidade. Há também vários pontos turísticos em Chiba como seu monotrilho suspenso, o maior do mundo. Mas não dá pra descartar as idas a Tóquio, que é o coração do Japão. Se pudermos comparar com o Brasil, Chiba seria Juiz de Fora e Tóquio, o Rio de Janeiro.

O povo é muito organizado, eles procuram sempre manter o bem-estar dos outros ao redor e quase tudo funciona em harmonia. Os meios de transporte são limpos, bem mantidos e extremamente pontuais. Em Tóquio, onde serão as Olimpíadas de 2020, praticamente todas as estações de trem estão sendo reformadas para receber o público do evento e, mesmo em meio as obras, tudo é limpo e funciona com pontualidade e eficiência.

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Muitas atrações em Tóquio, cidade que sediará as Olimpíadas de 2020 (Foto: divulgação/Letícia Corrêa)

A comida tem por base o arroz, variedades de carnes, peixes e muita verdura e legumes.

Estudo da língua

A Universidade de Kanda de Estudos Internacionais é uma universidade renomada e tem por foco o estudo de línguas estrangeiras. O aluno que escolhe o Japão para o intercâmbio deve ter em mente que o idioma ocupará a maior parte de seus estudos. Isso não impede de fazer outras matérias que a universidade oferece, como as voltadas para Relações e Políticas Internacionais e ministradas em inglês, por exemplo.

A Universidade facilita toda a vida estudantil para os intercambistas, inclusive o alojamento, que poderá ser em dormitórios ou em apartamentos. Tenho colegas de vários países asiáticos, europeus e americanos. Os professores estão sempre prontos para nos ajudar na sala de aula ou em eventos. A convite de um dos meus professores, participei de um evento na Casa Internacional do Japão sobre Democracia na Era Moderna, com representantes das universidades de Toronto, de Seoul e de Kyoto.

Tem interesse em participar do Programa de Intercâmbio da UFJF? A dica é começar a se preparar com antecedência como a Letícia. Saiba mais sobre o programa em http://www.ufjf.br/piigrad/

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