Partidos têm até o dia 15 para registrar candidaturas


:: TM Política em 12/08/2018 08:04 ::

A três dias da data final para requerimento do registro de candidaturas majoritárias ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quarta-feira (15), parte das chapas compostas para as disputas ao Governo do Estado de Minas Gerais e à Presidência da República está sujeita a mudanças. Ainda que o prazo para as convenções partidárias tenha se esgotado no último dia 5 (domingo), os diretórios dos partidos mantêm diálogo em vista de novas coligações, definição de candidaturas incertas em razão de imbróglios judiciais e, até mesmo, lançamento de novas chapas.

Em Minas Gerais, partidos como PSB, MDB e PT protagonizam as articulações no campo das incertezas.

O acordo amarrado nacionalmente entre PT e PSB em busca de isolar o pré-candidato Ciro Gomes (PDT) ainda reverbera; a contragosto de ambas as militâncias, pré-candidaturas promissoras em pesquisas iniciais de intenções de voto foram revogadas. O ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda (PSB) e os correligionários mais próximos resistem à determinação da Executiva nacional.

Para manter a pré-candidatura ao Governo de Minas, Lacerda já apresentou no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) documentação com o pedido de registro. Mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), assim como a Executiva nacional do PSB, não reconhece a legitimidade da convenção que definiu seu nome, e o processo segue judicializado. O prazo final para os tribunais julgarem os pedidos segue até 17 setembro, mas há expectativa de que o TSE vote, já na segunda-feira (13), o mandado de segurança ajuizado pelo ex-prefeito de Belo Horizonte.

Coligado ao PSB junto aos partidos PROS, PDT, PV, PRB e Podemos, o MDB detém a pré-candidatura do presidente da Assembleia Legislativa, Adalclever Lopes, ao posto de vice-governador na chapa. Depois de sucessivos confrontos na direção estadual da legenda em razão das estratégias a serem adotadas para as eleições ao Palácio da Liberdade, o diretório foi destituído e a pré-candidatura de Antônio Andrade ao Governo, retirada. O possível impedimento de Lacerda pode levar o deputado estadual emedebista a encabeçar nova chapa ou, então, apoiar uma das já estabelecidas na corrida em busca de cadeiras no Congresso.

Em compasso de espera, o PT aguarda a resolução do confronto interno dos socialistas para definir o pré-candidato à segunda vaga da chapa mineira ao Senado. Após transferir o domicílio eleitoral de Porto Alegre para Belo Horizonte – sua cidade natal -, a ex-presidente Dilma Rousseff é o único nome apresentado, até o momento, pela coligação com os partidos PT, PCdoB, DC e PR. Uma das proposições da aliança com o PSB é a presença de Lacerda ao Senado na chapa encabeçada pelos petistas.

Palácio da Liberdade: a caminho da polarização

Embora o PSB posicione-se de maneira neutra no pleito presidencial, a aliança com o PT arranjou-se, especialmente, em chapas majoritárias aos governos dos estados do Amapá, Amazonas, Bahia, Pernambuco e Rondônia – além de Minas. A resistência de Márcio Lacerda e seus correligionários levou à destituição do diretório mineiro pela Executiva nacional do PSB, o que levaria à nulidade de qualquer convenção ou ata realizadas. Entretanto, a convenção responsável em respaldar o nome do socialista foi avalizada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Minas Gerais em liminar, ação da qual a comissão de filiados mineiros formada pela direção nacional do partido já recorreu.

A ata da convenção, inclusive, já foi registrada junto ao TRE. A resistência dos militantes ligados ao ex-prefeito de Belo Horizonte é explicada pela expectativa de troca de uma pré-candidatura com boas intenções de voto – 7,6% de acordo com a pesquisa DataTempo/CP2, realizada entre 15 e 18 de julho – pela composição local com a chapa do governador Fernando Pimentel (PT). Após o acordo nacional entre PT e PSB, o pré-candidato socialista se recusou a postular, junto a Dilma Rousseff, uma das vagas ao Senado. A judicialização do imbróglio, portanto, é a cartada da equipe de Lacerda, uma vez que os aliados do socialista trabalham somente com a hipótese de vitória na Justiça Eleitoral e garantem que a chapa coligada com o MDB, PROS, PDT, PV, PRB e Podemos será registrada junto ao TRE até a próxima quarta.chapas-para-governador-700x477.jpg

Partidos estão à espera

Uma vez que a chapa liderada pelo senador Antonio Anastasia (PSDB) foi registrada no TRE na última sexta (10), o MDB, encabeçado por Adalclever, pode lançar-se, então, como alternativa em caso de desistência do candidato do PSB. Assim como os petistas, os emedebistas esperam a resolução judicial entre o diretório estadual e a Executiva nacional do PSB. Os impasses partidários, entretanto, levaram, há poucas semanas, o presidente do MDB, senador Romero Jucá, a também destituir o diretório mineiro da legenda. Almejando candidatura própria, o então presidente local do partido, vice-governador Antônio Andrade, enfrentou correligionários dispostos a manter o apoio ao PT, construído, principalmente, nos dois primeiros anos do mandato de Pimentel. A pré-candidatura de Dilma ao Senado, entretanto, levou os emedebistas à aliança com Lacerda, ainda que algumas dissidências dentro do Partido dos Trabalhadores considerem o cenário ideal, em eventual segundo turno, o improvável apoio de PSB e MDB à legenda petista.

A transferência do domicílio eleitoral da ex-presidente para Belo Horizonte alterou a dinâmica estadual das coligações majoritárias; a legenda acredita que o recomeço de Dilma no cenário político nacional deve se dar em seu estado natal, onde iniciou a militância política. Sem a aliança com o MDB, a deputada federal Jô Moraes (PCdoB) é a pré-candidata a vice-governadora.

O posto ainda vago na chapa liderada por Pimentel é a segunda cadeira ao Senado. O PT esperará até o dia 15 por Marcio Lacerda; em caso de nova recusa, um dos nomes mais cotados para ser lançado ao Senado pelos trabalhistas é do deputado federal Patrus Ananias (PT), ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-ministro Desenvolvimento Social e Combate à Fome e do Desenvolvimento Agrário nos governos Lula e Dilma, respectivamente.

Dentre os demais partidos, o único impasse ainda é o cargo de vice-governador na chapa do PRTB, encabeçada pela professora e presidente estadual da legenda Rita de Cássia del Bianco. Entretanto, a campanha segue ainda os movimentos do cenário da política estadual para definir a viabilidade da candidatura própria. Além de Anastasia, o empresário Romeu Zema (Novo), em chapa composta pelo pré-candidato a vice-governador Paulo Brant (Novo) e pelo pré-candidato ao Senado Rodrigo Paiva (Novo), já registrou a candidatura junto ao TRE.

Planalto: adiamentos para a escolha do vice

chapas-para-presid%C3%AAncia.jpgAntes do fechamento do acordo com o PSB, o PT ofereceu ao ex-ministro Ciro Gomes (PDT) a pré-candidatura à vice-presidente da chapa encabeçada por Luiz Inácio Lula da Silva. Após a recusa, a legenda buscou a neutralidade do PSB para isolar Ciro, cuja única aliança se dá com o Avante, e iniciou diálogo com o PCdoB, com a possibilidade de Manuela D’Ávila ser a pré-candidata a vice. A tratativa foi intensificada nos últimos dias do prazo, uma vez que o TSE informou à cúpula do partido que até as 23h59 de 5 de agosto os nomes dos candidatos deveriam ser informados.

O PT já iniciara, então, as projeções sem Lula, líder nas pesquisas com mais de 30% de intenção de votos, mas detido, sem a possibilidade de participar dos debates eleitorais. A escolha, portanto, se deu pela chapa encabeçada por três pré-candidatos, uma vez que o PT não queria reforçar a hipótese de a candidatura de Lula ser impugnada pelo TSE. O coordenador da campanha, Fernando Haddad, embora tenha informado aos correligionários a vontade de não participar do pleito, foi deflagrado como representante de Lula e, consequentemente, do Partido dos Trabalhadores. O ex-prefeito de São Paulo, porém, participará da chapa apenas em caso de invalidação da candidatura de Lula. Manuela, em contrapartida, será vice em quaisquer circunstâncias Entre o registro da candidatura do ex-presidente e o dia 17 de setembro, o partido deverá esgotar os recursos na Justiça Eleitoral para, em caso de derrota, nomear a chapa de Haddad e Manuela. A intenção da coordenação da chapa é colocar a campanha nas ruas já na próxima quinta-feira (16).

Dentre os demais partidos, a indecisão que mais perdurou foi a do vice, sintoma do protagonismo de Michel Temer ao articular o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Líder nas pesquisas nos cenários sem Lula, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), convidou o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB). A Rede fechou a coligação com o Partido Verde – antiga legenda da pré-candidata Marina Silva – e lançou o ex-deputado federal Eduardo Jorge ao posto de vice. Coligado apenas com o Avante, o PDT de Ciro Gomes indicou a senadora Kátia Abreu, também filiada ao partido. Já a chapa do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) escolheu a senadora Ana Amélia Lemos (PP) para o cargo depois da mal sucedida empreitada com Josué Gomes (PR). Dentre as 13 pré-candidaturas, apenas as chapas do cabo Benevenuto Daciolo (Patriota), Alckmin, Guilherme Boulos (PSOL) e Vera Lucia (PSTU) foram registradas no TSE.

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