Quando a ciência é a grande aliada do sonho de ser pai


:: TM Especiais em 12/08/2018 07:24 ::

logo-nidus-horizontal-cor1.jpgA infertilidade é um problema que surpreende 15% das pessoas quando ter um filho se torna um sonho, um projeto de vida. E as dificuldades estão relacionadas aos homens em quadro de cada dez casos de infertilidade. A boa notícia é que a grande maioria dos problemas já tem alguma solução médica, com apoio dos avanços da Medicina Reprodutiva.

Mas são justamente os homens que têm a maior resistência em buscar alternativas. As mulheres, em geral, não querem esperar tanto para encontrar o apoio da Ciência e, além disso, alguns homens ainda acreditam que sua capacidade reprodutiva não é influenciada pela idade ou pelos hábitos de vida.

A especialista em Reprodução Humana, Fernanda Polisseni, da Clínica Nidus Medicina Reprodutiva, desmistifica alguns destes preconceitos. Com 22 anos de experiência no tratamento da infertilidade, vemos os homens cada vez mais presentes na decisão do casal, buscando métodos clínicos para solucionar o problema e participando ativamente do tratamento. Mais recentemente, tem sido possível realizar mais sonhos, oferecendo soluções como o útero de substituição ou doação temporária do útero e a Fertilização in Vitro para casais homoafetivos.

Hábitos saudáveis interferem na capacidade reprodutiva

A infertilidade masculina pode ser ocasionada por uma doença específica, como a varicocele, distúrbios hormonais, infecções e até por doenças sistêmicas, como o diabetes, por exemplo. Porém, é mais comum do que se pensa a influência de fatores ambientais que, quando associados, podem levar a uma importante redução do potencial fértil. Os hábitos de vida influenciam, diretamente, na fertilidade masculina, com destaque para tabagismo, o uso de álcool ou de drogas recreativas (maconha, cocaína), o uso de anabolizantes (testosterona), exercícios físicos em excesso, obesidade, além do estresse e da má nutrição. A exposição ambiental ou ocupacional a substâncias tóxicas, produtos químicos, também pode prejudicar a produção de esperma. Ao longo dos últimos anos, os estudos têm mostrado uma queda gradativa e generalizada da fertilidade masculina, principalmente nos países ocidentais, industrializados, em função dos maus hábitos de vida.

Fernanda Polisseni também fala do mito de que os homens podem ter filho em qualquer idade. “Ao contrário do que se pensa, a fertilidade do homem também diminui com a idade. O homem produz espermatozoides a vida toda, mas isso não significa que estes espermatozoides não perdem qualidade e também não significa que todos os homens têm o mesmo nível de fertilidade”, reforça a médica.

Reversão da vasectomia tem busca crescente

Mudanças de planos também têm ampliado a busca dos homens pelas clínicas de Medicina Reprodutiva. Quando o sonho de ser pai ou ter um filho em um novo relacionamento, vem depois da opção por um método contraceptivo “definitivo”, o procedimento de Reversão de Vasectomia permite, através de uma nova cirurgia, tentar normalizar a produção/liberação de espermatozoides.

O urologista da Clínica Nidus, Newton Ferreira, explica que quanto menor o tempo de duração da vasectomia maior é a chance de sucesso após a reversão. Mas é importante ressaltar que para ter filhos, o homem também precisa ter espermatozoides saudáveis e que a idade da parceira influencia diretamente nas taxas de gravidez espontânea após a cirurgia de reversão.

Além disso, é preciso avaliar o casal. O marido pode voltar a ter a sua fertilidade normal, mas problemas na fertilidade da mulher precisam ser descartados, pois interferem nas chances de gravidez. Nas situações em que não é possível ou não se indica a reversão da vasectomia, a Fertilização in vitro com ICSI (injeção do espermatozoide dentro do óvulo) após a aspiração do epidídimo, é a melhor alternativa.

especialistas-by-Nidus.jpgO urologista Newton Ferreira e a especialista em Reprodução Humana, Fernanda Polisseni, da Clínica Nidus (Foto: Divulgação)

Exames, doenças e a preservação da fertilidade masculina

O exame básico para a avaliação da fertilidade masculina é o espermograma, que estuda a mobilidade, aspecto morfológico e nível de concentração dos espermatozoides. “Muitas vezes é necessário complementar o exame com a realização da capacitação espermática. O exame físico pelo urologista, nos casos de espermograma alterado também é essencial para que possamos avaliar corretamente o potencial reprodutivo masculino”, explica Fernanda.

A varicocele, por exemplo, é diagnosticada por meio do exame físico. A doença acomete os vasos testiculares e é uma das principais causas de redução do potencial fértil dos homens, responsável por até 40% dos casos de infertilidade masculina primária.

A preservação da fertilidade masculina

O congelamento de espermatozoides é uma maneira de preservar a fertilidade do homem. Geralmente é indicado para os homens em fase reprodutiva e que irão se submeter a quimioterapia ou radioterapia para tratamento de um câncer, já que estes procedimentos podem comprometer o funcionamento dos testículos de forma definitiva. Também nos casos em que será necessária a retirada cirúrgica dos testículos ou por homens que serão submetidos à vasectomia e desejam manter uma amostra de sêmen congelada, por garantia.

Sonho de ser pai na discussão de gênero

E quando os avanços da Ciência afetam questões éticas muito próprias do fator “concepção”, torna-se importante o posicionamento do Conselho Federal de Medicina (CFM), definindo normas éticas em relação às técnicas de fertilização para limites e padrões de atuação. Recentemente, o CFM passou a permitir que as clínicas de fertilização ampliem o acesso das técnicas a casais homossexuais e mulheres solteiras, além de regulamentar novo parentesco para “doação temporária do útero” ou “gestação de substituição” (ou barriga de aluguel). “Estes procedimentos não eram proibidos”, reforça a especialista, “mas não havia diretrizes totalmente claras. Hoje, o que a norma ética orienta é que qualquer pessoa com discernimento entre certo e errado e que seja saudável, do ponto de vista físico e psicológico, pode ter acesso às técnicas de reprodução assistida”, finaliza Fernanda Polisseni.

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