Boate é interditada após denúncia de exploração sexual


:: TM Cidade em 14/09/2018 18:31 ::

dallas2.jpg(Foto: Olavo Prazeres)

A boate Dallas foi interditada após denúncia de exploração sexual ocorrida no fim de agosto. Nesta sexta-feira (14), a delegada Ione Barbosa, que conduz as investigações pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, esteve na casa noturna, no Bairro Mariano Procópio, Zona Nordeste, para fotografar as condições em que as garotas de programa viviam.

Uma mulher de 38 anos que seria uma das proprietárias do estabelecimento e trabalhava como gerente está presa na Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires desde o último dia 28. “Conseguimos fazer a prisão (em flagrante) porque ela apreendeu os objetos pessoais de duas mulheres que trabalhavam no local e que queriam ir embora”, conta a policial. A Secretaria de Atividades Urbanas (SAU) confirmou que a interdição aconteceu no dia 28 de agosto após pedido de vistoria realizado pela Polícia Civil. Durante a visita dos fiscais, ficou constatado que a boate estava sem alvará de localização. A Vigilância Sanitária também observou condições de higiene inadequadas e ausência de alvará sanitário.

De acordo com informações do boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, duas garotas de programa, de 19 e 25 anos, relataram serem de Belo Horizonte (MG) e terem vindo para Juiz de Fora com recursos da boate Dallas, a qual teria promovido o pagamento do transporte. A própria gerente teria buscado as vítimas na rodoviária, cerca de uma semana antes da denúncia. No entanto, o valor gasto com a viagem ficou como dívida delas com a casa, assim como todo o consumo durante a estadia. As mulheres acrescentaram terem sido alojadas em local insalubre e, por isso, contraíram doenças respiratórias.

dallas3.jpg(Foto: Olavo Prazeres)

As envolvidas também revelaram que recebiam R$ 10 por dia para alimentação. No entanto, o valor não seria constante e, em algumas ocasiões, elas precisavam “dar um jeito” para comer. As vítimas só poderiam fazer programas dentro da Dallas e seriam obrigadas a repassar parte da quantia recebida pelo serviço à gerente. Se estivessem cansadas ou, por outro motivo, não quisessem atender os clientes, seriam multadas em R$ 120. Naquela data, elas afirmaram estar com dívida de R$ 206 com a responsável.

As denunciantes afirmaram também terem sido instaladas câmeras e alarmes para monitorar as vítimas e as outras garotas de programa, com a finalidade de inibir a saída delas do estabelecimento. Quando conseguiam deixar o local, eram vigiadas e seguidas por pessoas ligadas à casa noturna.

Naquela noite, a mulher de 25 anos havia passado mal e foi assistida pela colega, 19, até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Norte. No entanto, quando retornaram à boate, um funcionário disse que teriam que se apresentar à proprietária “para dar satisfação”. Para surpresa delas, chegaram ao quarto onde estavam alojadas e perceberam que todos os seus pertences e documentos pessoais não estavam lá. Ao questionarem o fato, foram informadas de que os materiais só seriam devolvidos quando elas quitassem as dívidas. Diante da situação, acionaram a PM.

Ainda conforme o boletim de ocorrência, durante o primeiro contato, a gerente teria dito aos militares do Tático Móvel que não devolveria os pertences das envolvidas. Logo depois, ela alegou não estar presente no momento em que as garotas retornaram do atendimento médico, mas confirmou ter conhecimento do ocorrido e ter se deparado com as vítimas já prestando queixa à polícia.
A responsável disse ainda à PM acreditar ser correto o procedimento de não devolver os materiais das mulheres e reafirmou que elas não poderiam entrar no estabelecimento porque estavam com dívidas referente à alimentação e ao consumo de bebidas. Apesar da declaração, ela garantiu não haver exploração sexual na casa noturna, alegando não ser permitido fazer programa nos quartos. Segundo a polícia, a gerente disse que, se as garotas cobravam por sexo, ela desconhecia.

Naquele dia, a mulher recebeu voz de prisão em flagrante. A Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) confirmou que a suspeita está detida na Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires desde o último dia 28.

Em nota, a assessoria da Prefeitura informou que “o estabelecimento foi interditado cautelarmente pela SAU e pela Vigilância Sanitária. A motivação da ação se deu pela falta de alvará de localização, informando todas as atividades exercidas na Casa; de condição higiênico-sanitário inadequada; e ausência de alvará sanitário.”

Ainda conforme a assessoria, a interdição teve como base o artigo 102 do Código de Posturas do Município. Segundo a norma, os estabelecimentos, eventos, equipamentos ou aparelhos de qualquer natureza poderão ser interditados, total ou parcialmente, pelo Poder Executivo. “A medida ocorrerá quando houver iminente risco à saúde, à segurança, à higiene e ao meio ambiente, independentemente de outros procedimentos devidamente comprovados, ou se o local não dispor de licença de funcionamento.”

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