Projeto estreita laços entre pesquisadores e alunos de escolas públicas


:: TM Cidade em 14/09/2018 07:41 ::

PESQUISA21.gifAlunos da escola Duque de Caxias receberam pesquisadora da área de design de games, Letícia Perani (Fotos: Leonardo Costa)

Se hoje há cura para muitas doenças, jogos que ajudam crianças no processo de aprendizagem, celulares mais inteligentes, carros e edificações mais eficientes e ecologicamente corretos, é porque foram descobertas tecnologias que permitiram esta evolução.

No meio deste processo, há pessoas que dedicaram sua vida profissional – e ainda dedicam -, a buscar novos conhecimentos para que a sociedade possa se beneficiar. E para que as pessoas conheçam de perto a realidade de quem produz conhecimento científico, o projeto de extensão “A ciência que fazemos”, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), retomou, nesta semana, as visitas às escolas públicas da cidade. O objetivo é estreitar os laços entre pesquisadores da instituição e estudantes da educação básica, de forma a desmistificar o trabalho e despertar o interesse dos alunos para a ciência.

O primeiro assunto abordado em uma das visitas foi a pesquisa na área de design de games. Por meio de um bate-papo, estudantes da Escola Estadual Duque de Caxias conversaram com a professora e pesquisadora do Instituto de Artes e Design (IAD/UFJF), Letícia Perani. Durante a palestra, Letícia explicou como funciona a sua pesquisa e os pontos que devem ser elaborados para se criar e compreender um game.

“Por ser uma área em que os jovens já possuem um interesse natural, o projeto nos ajuda a mostrar a eles que os games podem ser estudados e virem a se tornar um emprego e uma fonte de renda. Ou seja, permite aproximar o conhecimento científico do dia a dia do aluno. Assim, eles percebem que o pesquisador é um trabalhador como qualquer outro, e o seu meio de trabalho é a ciência”, destaca Letícia. Ela acrescenta, ainda, que fazer parte do “A ciência que fazemos” é uma forma de contribuir para que os jovens entendam o valor e o papel de uma universidade pública na educação brasileira.

Para a escola, na visão da professora Gisele Lima Reis, responsável por manter a ponte entre a UFJF e o Duque de Caxias, o projeto proporciona um intercâmbio em que os dois lados saem ganhando. “A aproximação da UFJF com a educação básica demonstra que a área acadêmica não está tão distante da realidade dos alunos. É uma via de mão dupla que faz com que as partes entendam as suas realidades. Quando a UFJF vem até a escola, ou quando nós levamos os alunos até ela, eles ficam mais motivados e percebem que a escola não precisa ser só a sala de aula. Isto desperta a curiosidade deles e uma série de questionamentos, que eles precisam pesquisar para saberem um pouco mais”, aponta.

O piloto que virou realidade

A ideia de expor um pouco dos bastidores da produção científica da UFJF por meio do “A ciência que fazemos” surgiu em outubro de 2017, quando alguns encontros foram realizados como uma experiência piloto. Em agosto deste ano, a iniciativa foi aprovada como Projeto de Extensão da UFJF, ou seja, passou a ser definida como estratégica para que a instituição se aproxime da sociedade. A meta, até o fim do ano, é promover cerca de 20 visitas às escolas. A expectativa para 2019 é que o projeto passe a entrar no calendário escolar, para que sejam realizados, pelo menos, quatro encontros em cada unidade cadastrada. “A ideia é priorizar a escola pública. Para isso, fomos à Superintendência Regional de Ensino (SRE) para fortalecer o projeto e ampliá-lo para outras escolas, principalmente aquelas localizadas em regiões mais afastadas e até em distritos, para aquelas que nunca pensaram em se aproximar da UFJF”, destaca a coordenadora de Divulgação Científica e uma das responsáveis pelo “A ciência que fazemos”, Bárbara Duque.

pesquisa3.gifAté o fim do ano, a meta é realizar 20 encontros nas escolas, abordando temas variados

A coordenadora explica, ainda, que a iniciativa tem o intuito de fazer com que o pesquisador se torne um divulgador da ciência que produz, saindo do laboratório e indo às escolas, tornando o processo horizontalizado. “Por outro lado, o pesquisador mostra ao estudante que ele é uma pessoa comum e que se dedica ao conhecimento cientifico, a elaborar novas tecnologias. O interessante é que essa aproximação aconteça em um momento importante para os alunos, que é quando eles estão identificando a área que querem seguir”, comenta.

O projeto conta com 30 pesquisadores cadastrados, mas Bárbara acredita que o número pode aumentar. “Temos um potencial muito grande para expansão, já que todos os pesquisadores têm interesse em participar. A gente percebe que é uma demanda represada e a nossa função é fazer essa mediação, promover essa interação. É importante para o pesquisador divulgar o seu trabalho, inclusive, para que a sociedade se torne mais conhecedora, mais crítica, e que perceba o prejuízo quando há cortes. A conta é simples: se não se produz, se importa, mas num valor muito mais alto”, reflete.

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