Bolsonaro quer ministro da Educação que ‘expulse a filosofia de Paulo Freire’


:: TM Política em 09/10/2018 16:19 ::

O candidato do PSL ao Planalto, Jair Bolsonaro, afirmou que busca um nome que tenha autoridade para comandar o Ministério da Educação. “Estou procurando alguém para ser ministro da Educação que tenha autoridade. Que expulse a filosofia de Paulo Freire. Que mude os currículos escolares”, disse, e emendou: “para aprender química, matemática, português, e não sexo”.

As falas foram durante entrevista à Rádio Jovem Pan, na tarde desta terça-feira (9). Na ocasião, Bolsonaro fez duras críticas ao PT que, segundo ele, tem interesse em manter uma desinformação na sociedade para prendê-las ao Bolsa Família. Mesmo com a crítica, Bolsonaro disse que pretende ampliar esse programa social, mas combater desvios.

O candidato também afirmou que costuma ser chamado de extremista, mas que, na verdade, seus oponentes que são.

“Os apaixonados pela Venezuela, por Cuba, são eles”, disse.

‘Nem mesmo Lula’

Bolsonaro saiu em defesa de sua candidatura e do apoio popular que recebeu das urnas no primeiro turno. “Ninguém, nem mesmo Lula, teve uma votação tão massiva no primeiro turno como eu”, afirmou. O capitão do Exército teve 46% dos votos válidos, contra 28,9% dos votos para Fernando Haddad. Os dois disputam o segundo turno no dia 28.

A afirmação de Bolsonaro não condiz com a verdade. No primeiro turno de 2006, em uma disputa com o ex-governador paulista e presidenciável do PSDB derrotado nessas eleições, Geraldo Alckmin, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve perto de liquidar a eleição, com 48,61% dos votos válidos, porcentual acima do que registrou Bolsonaro no último domingo.

Urnas sob suspeita

Bolsonaro voltou a colocar em xeque a segurança da urnas eletrônicas, citando casos divulgados nas redes sociais com possíveis fraudes. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entretanto, negou a veracidade de muitas dessas denúncias. Mesmo com o questionamento, Bolsonaro afirmou que respeitará o resultado diante de eventual derrota no dia 28. “Vamos respeitar as eleições, mas essas dúvidas precisam ser sanadas”, disse.

Na entrevista, o cabeça de chapa do PSL foi questionado sobre a recente afirmação de que “quer acabar com toda a forma de ativismo”. Bolsonaro explicou que se referia ao ativismo “xiita”. “Vamos botar um ponto final no ativismo xiita, que vive com dinheiro de ONG”, disse, acrescentando que o dinheiro público precisa ser respeitado.

Polêmica sobre CPMG foi ‘equívoco enorme’

Também em entrevista à Jovem Pan, o responsável pela parte econômica do plano de governo Bolsonaro (PSL), Paulo Guedes, afirmou que a polêmica envolvendo a volta da CPMF (tributação sobre movimentação tributária) “foi um equívoco enorme” e que, na verdade, eles estavam estudando a convergência de impostos. Guedes citou o economista Marcos Cintra, cuja proposta seria eliminar os impostos indiretos, os regressivos, beneficiando assim os mais pobres.

As duas possibilidades, segundo Guedes, seriam ou converter para um imposto só, com base em um valor agregado, ou um modelo nos moldes da CPMF. “Essa proposta do Cintra, que é na verdade uma proposta de tributação progressiva, foi transformada no inverso”, disse Guedes.

O braço direito de Bolsonaro na área econômica acrescentou que a polêmica é reflexo da elevada “paixão política” e que Cintra irá, mais adiante, dar esclarecimentos sobre a proposta de imposto único.

Guedes defendeu que Bolsonaro teve votação forte no primeiro turno por causa da sua liderança e da defesa de valores familiares. “Economistas no Brasil se têm às dúzias. O importante é ter liderança”, disse, pedindo para que se pare de criticar Bolsonaro por causa da economia.

O economista de Bolsonaro também acrescentou que programas sociais vão ser mantidos durante eventual governo do PSL e disse também que a economia do Brasil seria “muito fechada” e “um curral para a exploração do consumidor”.

Para melhorar este cenário, Guedes defendeu a revisão do excesso do gasto público. “Esse descontrole corrompeu a economia. Vamos precisar olhar esse excesso de gastos”, disse, destacando o período do governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Ainda sobre o mercado de ações, o economista disse que a bolsa brasileira ficou “rica”. “Mas serve a menos empresas”, ponderou.

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