Primeiros desafios


:: TM Opinião em 01/11/2018 08:44 ::

Três dias após as eleições, os partidos que farão parte da base aliada do presidente eleito, Jair Bolsonaro, já começam a se digladiar por postos no primeiro escalão. Nada de novo não fosse por um detalhe. O fim da barganha foi uma das questões que ele levou para os eleitores, daí a curiosidade da opinião pública em torno de sua reação. Embora o PSL, seu partido, seja a segunda maior bancada da Câmara Federal, não tem número suficiente para garantir a aprovação das mensagens que o Executivo irá encaminhar ao Congresso, implicando, pois, a necessidade de conversar com os parceiros.

Deputado de várias legislaturas, o futuro chefe do Governo sabe como a banda toca.

É bem verdade que negociar com aliados faz parte do jogo em qualquer democracia, sobretudo quando não se tem maioria. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump, por meio do Partido Republicano, controla as duas casas, o que lhe permite apresentar uma pauta indigesta até mesmo para o seu partido, mas não depende, por enquanto, dos Democratas. O Democrata brasileiro, que tem a intenção de manter Rodrigo Maia na presidência da Câmara, tem pretensões mais amplas, sobretudo se Maia for confirmado. Vai querer ministérios, criando o primeiro desafio para o presidente.

Os demais partidos ainda não apresentaram a conta, mas, certamente, irão passar os próximos dias avaliando alternativas e forjando nomes. A questão central é verificar se a articulação com tais legendas vai se dar em torno de projetos pontuais ou de postos. Pelo que foi dito em campanha, o mais provável é encampar pautas como a dos ruralistas, dos evangélicos ou até mesmo da bancada da bala, que poderia garantir-lhe votos sem entregar cargos, mas tal possibilidade é apenas uma especulação, pois Bolsonaro, a despeito de ter se pronunciado por pools de televisão, ainda não detalhou seu projeto nem a sua equipe, salvo pastas como a Fazenda, a ser ocupada pelo seu guru econômico Paulo Guedes. É cedo, é fato, pois o pleito ocorreu no último domingo, mas Brasília tem um ritmo próprio, forjado em negociações que entram por noites adentro e pela pressa dos partidos em ocupar espaços. Ademais, ninguém quer se surpreender com a ação dos concorrentes, o que justifica as conversas mesmo diante de um Governo que prometeu mudar o modelo de administrar o país.

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