Crítica – ‘As viúvas’: Sinal dos tempos


:: El Pais em 30/11/2018 17:08 ::

Chamar-se Steve McQueen, e não ser aquele que foi idolatrado (suspeito que também desejado) por várias gerações de espectadores, o cara mais cool, a imagem máxima da sedução masculina, ao lado de Brando e Newman, imagino que seja um fardo muito pesado, que tenha sido motivo de piadas cruéis nas escolas, que exija muita segurança de si mesmo para suportar a malvada comparação. O diretor Steve McQueen nos demonstrou em Shame (2011) que era tão inteligente quanto perturbador. Quanto medo e piedade inspirava aquele pornógrafo compulsivo e turvo, recorrendo obsessivamente ao onanismo e ao sexo rápido com prostitutas, garotos de programa e desconhecidas, fugidio e impotente com mulheres que o atraíam e que poderiam lhe oferecer amor; um urbanita completamente só, perdido em seu inferno.

Meu fascínio por esse filme sombrio desapareceu no seguinte, 12 Anos de Escravidão (2013). Acabei saturado pelo acúmulo de torturas de todos os tipos praticadas por escravistas em seus desamparados servos. É claro que a realidade deve ter sido igual ou pior, mas na tela soava repetitivo, muito óbvio, panfletário, gerador de emoções fáceis, mas muito adequado para a era de Obama. Ganhou três prêmios no Oscar, incluído o de melhor filme. Normal.

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