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#TribunaDeMinas #TribunaLivre #JuizDeFora (06:00): https://tribunademinas.com.br/wp-content/uploads/2023/06/tribunalivre_destacada.jpg “O homem que volta ao mesmo rio, nem o rio é o mesmo rio, nem o homem é o mesmo homem.” (Heráclito, 535-475 a.C.)
A frase de Heráclito ecoa com força nos dias atuais, quando os rios e as águas do planeta já não são os mesmos de décadas atrás. Basta verificar o que acontece com o nosso Paraibuna. As mudanças climáticas vêm alterando profundamente o ciclo da água, provocando secas mais prolongadas, enchentes devastadoras e desequilíbrios que afetam tanto o meio ambiente, quanto a vida humana.
Em várias partes do mundo, assistimos geleiras e mantos de gelo derretendo em ritmo jamais visto, oceanos se expandindo (o nível do mar está subindo), eventos extremos se multiplicando. A escassez hídrica já atinge cerca de 4 bilhões de pessoas — quase metade da população mundial — que vivem sob escassez severa de água por pelo menos um mês por ano. Em inúmeras regiões do planeta sofrem com inundações cada vez mais frequentes.
No Brasil, país que abriga uma das maiores reservas de água doce do planeta – cerca de 12% de toda água superficial – os impactos também são visíveis. Só para citar um exemplo, a Amazônia tem enfrentado secas históricas, como a ocorrida no anos de 2023 e 2024, considerada uma das mais extremas já registradas na região, enquanto áreas urbanas convivem com enchentes vultosas. As ocorridas recentemente em Juiz de Fora expuseram de forma dramática a fragilidade da infraestrutura de nossacidade no que tange à drenagem.
Reflexão para o Dia Mundial da Água, comemorado em todo o planeta neste domingo, 22 de março: não basta celebrar a data com discursos e campanhas. É preciso cobrar dos nossos governantes responsabilidade e compromisso. A água é um bem comum, mas tem sido tratada como recurso descartável. Se continuarmos a devolver aos rios, córregos e ribeirões apenas poluição e destruição, o futuro será de escassez e tragédias anunciadas. O desafio é coletivo, mas a responsabilidade maior recai sobre quem tem que planejar e executar políticas públicas capazes de garantir que nossos rios voltem a ser fonte de vida, e não de desastre!
*Professor aposentado da UFJF e membro do Fórum Juiz-forano de Meio Ambiente, Emergência Climática e Território
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